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A Cultura do Fumo

A região onde está situado o município de Arapiraca sempre cultivou cereais e a mandioca...

A CULTURA DO FUMO

A região onde está situado o município de Arapiraca sempre cultivou cereais e a mandioca sempre foi o seu principal produto desde 1848. A cultura do fumo foi iniciada nos últimos anos do século XIX e teve como pioneiro Francisco Magalhães que, acolhendo sugestões de um almocreve de Lagarto-SE, chamado Pedro Vieira de Meio que comerciava nas feiras da então vila de Arapiraca, plantou fumo pela primeira vez em um curral onde cuidava de gado no atual bairro de Cacimbas. Daí a expressão curral de fumo, ainda hoje empregada pelos plantadores de fumo da região, no seu primeiro estágio.

A plantação de fumo nos currais foi feita durante alguns anos, passando em seguida para os chamados bai~ios, no início deste século. Semeavam o fumo nos currais e, qúando a planta nascia, era mudada para canteiros nos referidos baixios; a muda de planta vem dessa época onde foi cultivada até o ano de 1922. Essa fase constitui o segundo estágio e, nessa época, além de Francisco Magalhães, já cultivavam o fumo seus irmãos Rosendo Magalhães, Manoel Magalhães, João Magalhães, Marcelino Magalhães e seus parentes Domingos Barbosa, Pedro Leão, Messias Bernardino, Tibúrcio Valeriano, Pedro Honorato, Ambrosino Lima, Vicente Correia, Manoel Leite, João Barbosa, Firmino Leite, João Ferreira e outros.

Em 1915, os fumicultores mais prósperos já plantavam até duas tarefas de fumo, aparecendo nesse ano o primeiro homem a armazenar o produto: José Bernardino compra a safra de alguns plantadores.

Muitos anos passaram cultivando fumo nos baixios e com métodos ainda primitivos, pois só no começo da década de 20 éque a cultura do fumo passaria a se desenvolver com mais intensidade, quando o filho do pioneiro Lino de Paula Magalhães, sentindo necessidade de aumentar o plantio, quebrou o tabu: fez a semeia no curral e daí mudou para a chã — terrenos mais altos - onde plantou uma tarefa e meia de fumo, usando um pouco de estrume de gado em cada planta, sendo este o terceiro estágio.

Em 1924, Arapiraca, já emancipada politicamente, apresenta notável desenvolvimento; a produção do fumo do município já abastece (em tropas de burros) as cidades circunvizinhas de Penedo, Igreja Nova, Limoeiro de Anadia, Quebrangulo, Viçosa, Palmeira dos Índios. É nesse época que os irmãos Né de Paula Magalhães e Deca Magalhães (por informação de Laudelino Barbosa que vira em uma de suas viagens) fazem inovações na fumicultura, adaptando nova técnica na preparação do fumo em rolo, antes enrolado no pé de um banco. Introduzem utensílios de madeira, como: macaca, moleque, banco, até então desconhecidos na região; também a secagem das folhas que até essa época era feita à sombra dos cajueiros, passou a ser em sequeiros; tudo isso contribuiu para a evolução da cultura fumageira, eliminando um sistema por demais ri~dimentar e anti-produtivo, implantando métodos que ainda hoje são empregados pelos fumicultores de Arapiraca.

Em 1928, o fumo em rolo era vendido pela primeira vez, para fora do Estado, ao Sr. José Tomáz de Caruaru-Pe. Em 1930, José Pedro Proteciano (apesar de assustado com a Revolução e com os cangaceiros) já carrega em tropas de burros para Águas BelasPc. Nesse ano Lino de Paula Magalhães aumenta a área de cultivo para dez tarefas, tornando-se o maior produtcr do município de Arapiraca. Em 1934, falece o pioneiro Francisco Magalhães, mas os herdeiros assumem o comando e a esta altura, além dos plantadores já citados, plantam também Apapito Magalhães, Gregório Magalhães, Domingos Magalhães, Luiz Magalhães, Tibúrcio Magalhães, Domingos Lúcio da Silva, Rosendo Lima, Né Rosendo, Pedro Alexandre, José Lúcio da Silva, Manoel Leão, Rosendo Gama, João Nunes, Lino Barbosa, Manoel Lúcio Correia, Francisco Lúcio, Domingos Terto, Aprigio Jacinto, José Emídio, Gervásio Oliveira, José Honório, Pedro Romualdo, José Tertuliano, Domingos Honório, Antonio Leão, Domingos Romualdo, Lúcio José da Silva, Manoel Lúcio da Silva, Manoel Pereira Santos, João Lúcio da Silva, Antonio Ventura, Né Angelo, Izidro Leão, João Ventura, José Macário, Manoel Clarindo, José Ventura, André Leão, foram os principais plantadores de fumo desta fase, havendo quem plantasse até 20 tarefas.

Em abril de 1938, os cangaceiros passaram próximo a Arapiraca e Lampeão aprisionou Lino de Paula no sítio Fernandes, mas o fazendeiro empreendeu fuga espetacular livrando-se do bandoleiro. No ano seguinte tem início a 2a Guerra Mundial todavia esses fatos não arrefeceram o entusiasmo dos fumicultores que continuaram evoluindo a passos largos.

Em 1934 Manoel (Né) de Paula Magalhães se desloca para o Estado da Paraíba com sua família e seus primos José Leão,

Né Cavalcante, Laudelino Leite e Anatólio Leite ( que em 1945 inventou o carro usado na viração do fumo) onde seriam os pioneiros no cultivo de fumo na região de Araçá e Sapé.

Apesar do progresso registrado nessa época, a produção do município era ainda limitada e os compradores de toda produção do fumo em rolo eram José Tomáz, Manoel Targino, Miguel Dudu, José Medeiros, Dedi, Macário, Pedro Lau, os irmãos Vaqueiro, José Carvalho, Dóia, Arnô, Francisco Carvalho, Cecílio, Antônio Paulino, Pedro Pirraia, Augusto Paulino, Antonio Carvalho etc.

Em 1945, surg.e pela primeira vez o comércio de folhas: José Lúcio da Silva e Lino de Paula Magaihães se estabelecem com armazéns para compra de folhas. Surg.e também a primeira fábrica de charutos por intermédio de José Lúcio de Meio a “Fábrica de Charutos Leda”; no ano seguinte aumenta o comércio de folhas com a presença de Joel Esteves, o primeiro corretor baiano que se instalou em Arapiraca no após-guerra, comprando folhas para várias firmas da Bahia, como Mário Cravo, Suerdyk, João Martins Mamona. Daí por diante surgiram outros corretores como Francisco Machado, Pedro Figueredo, Valdomiro Barbosa.

Em 1949, seria fundado por José Lúcio de Meio o Clube dos Fumicultores de Arapiraca.

Em 1950, se instala em Arapiraca a primeira firma internacional, a Exportadora Garrido dirigida por Galeno. A partir daí, o desenvolvimento da cultura do fumo torna-se impressionante; mais da metade da população já planta fumo e mais uma vez modificou-se o sistema: Lino de Paula Magalhães por sugestão do Dr. Francisco Oiticica, faz algumas experiências e substitui o adubo orgânico (estrume) por adubo químico (tortas, salitre, etc.), sendo esse o quarto e último estágio. Arapiraca, a essa altura, já conta com créditos de várias agências bancárias e com uma cooperativa criada por Lourenço de Almeida, que a conduziu com sacrifício por muitos anos tentando dar alguma assistência aos fumicultores. Infelizmente essa cooperativa nunca atingiu o seu objetivo (vender a terra, financiar, comprar o produto, etc), obrigando dezenas de famílias a procurar a Cooperativa 13 em Lagarto-Sergipe, que tem prcurado ajudar o pequeno produtor.

Esse período caracteriza-se por uma verdadeira corrida de firmas internacionais em busca de folhas; instalam-se novas firmas apareçendo os primeiros Gringos que se hospedavam no Hotel Lopes: Exportadora Bukovitz Ltda, Fraga & Sobel, Tabacalera do Brasil, C. Pimentel, Carleoni, Souza Cruz, cujo técnico Mr. James Reed, na época insistiu para que os fumicultores da região plantassem o fumo tipo amarelinho, qu.e produzia uma folha de qualidade especial; infelizmente todo esforço seria em vão,pois, essa espécie não servia para o fumo em rolo e assim seria mais vantagem para os fumicultores plantar de um tipo que desse para as duas coisas simultaneamente: para folha e rolo. E assim continuaram plantando as espécies mais comuns: rodoleiro, lingua de vaca, rapé, orelha de burro, folhiço, verdão e outros. Logo após chegariam Amerino Portugal e Mangerroux, foram estas as primeiras firmas internacionais. Terminada a década de 50 aparece outra inovação importante: Edvaldo Nobre Magalhães enrola o fumo fino, que se adaptaria melhor aos consumidores do Sul — São Paulo, Paraná, porém, com uma mão de obra mais dispendiosa, pois, o rolo é formado com quatro pernas ou pavios; esse tipo de fumo é produzido apenas por uma minoria, dada as dificuldades técnicas. O fumo fino foi introduzido no comércio de São Paulo por intermédio do comerciante Antonio Pinto que comprou a safra do Sr. João Lopes em 1962 e foi lançado em Minas por José de Souza Guedes que vendeu a Lafaiete Pinto Mendes em Itanhandú.

À década de 60, surge como um período dos mais florescentes e muita gente dos mais variados ramos, fascinada pelos bons lucros se infiltrou no comércio de fumo sendo bem sucedida. Conseguiram essas pessoas, verdadeiras fortunas, ora armazenando o produto, ora comerciando fertilizantes e outros industrializando o fumo em rolo, como Valdomiro Barbosa, Francisco Pereira, Deca Moço, Norberto Severino, Eduardo Alves da Silva, Aurelino Ferreira Barbosa, José Alexandre, Severino Araujo Silva, Mário Lima e outros.

Essa fase foi realmente das mais promissoras; a cultura do fumo passou a ocupar toda a área do município de Arapiraca e começou a penetrar nos municípios circunvizinhos: Limoeiro de Anadia, Feira Grande, Junqueiro, Coité do Nóia, Taquarana, São Sebastião, Campo Grande, Girau do Ponciano, Igací, que foram atraídos pelos bons rendimentos do chamado ouro preto. Atualmente, a região de Arapiraca já se encontra carente de vegetação. O clima já começa a mudar e o desequilíbrio ecológico épatente; a precipitação de chuvas que outrora ocorria regular-mente, hoje já não ocorre e como c.onsequência disto, as safras, às vezes, são prejudicadas; mesmo assim, o município de Arapiraca ainda continua sendo um dos maiores parques fumageiros da América Latina e milhares de toneladas de folhas são exportadas para o exterior, tendo como principal produtor-exportador Eloísio Barbosa Lopes, com a média de mil e trezentas tarefas anuais, isto sem contar com o fumo em rolo que abastece quase todo Nordeste e parte do Sul do Brasil.

Grande quantidade de fumo ainda é industrializada .em firmas de Arapiraca, tais como: Fumo Rei do Nordeste, Fumo Extra Forte, Fumo Du-Melhor, Fumo Super-Bom, Fumo Jangadeiro, Fumo Jóia, Fumo Sempre Forte, Fumo Império, Fumo Extra Bom, etc. (indústrias de fumo picado e condicionado em embalagens plásticas)

Conforme dados estatísticos do I.B.G.E., a população do município de Arapiraca nas últimas décadas era a seguinte:
1940 25.514 habitantes
1950 37.073
1960 46.715
1970 94.287
1978 (estimativa) 140. 000

Possuindo uma área de 614 Km2, é Arapiraca a cidade líder no Estado de Alagoas e a que mais cresce no Nordeste, construindo 08 (oito) casas por dia.

Apesar do progresso observado em Arapiraca e da evolução tecnológica nesses últimos anos, a produção do fumo em rolo ainda não tem um mercado certo não havendo portanto um escoamento para toda a produção; também ainda continua com os mesmos métodos introduzidos pelos pioneiros na década de 20:semeia, muda, plantação, varais, sequeiros, mão de obra para fazer o rolo; não conseguindo sequer debelar uma praga conhecida por “Meia” (espécie de lôdo ou môfo), que destrói todos os anos as sementeiras, ocasionando sérios prejuízos aos plantadores; as inovações foram restritas: a permuta do estrume pelo adubo químico em 1953, o aparecimento do fumo em quatro pernas em 1962, a introdução da máquina no preparo da terra no início da década de 70, através de Eloísio Barbosa Lopes e alguma modificação na secagem de folhas. Excetuando isto, 70% da colheita ainda continua sendo manual, o que onera excessivamente o produto, obrigando alguns a partir de 1970 a investir em outras áreas como: pecuária, loteamento de imóveis, cultivo de mandioca, plantação de abacaxi, cerâmica (João Lúcio da Silva, José Maia, José Leão, Eloísio Barbosa Lopes e outros) que evitaram a monocultura.
Ocorre também na década de 70, outra profunda modificação: além da meia ção, acaba-se pouco a pouco o sistema de moradores implantado ainda na década de 30; ao invés de dar a morada no terreno, o proprietário prefere pagar ao trabalhador por produção, mesmo transportando-o diariamente para o local da colheita, livrando-se dessa maneira das obrigações sindicais:terminada a colheita, logicamente, termina o vínculo com o trabalhador que geralmente se desloca para a região dos canaviais. As relações entre patrão e trabalhador, como acontece na agricultura, nunca chegaram a bom térmo, apesar da presença do órgão trabalhista. Se por um lado o patrão nega-se a assinar a carteira do trabalhador ou se esquiva em mantê-lo durante o verão, o trabalhador por seu turno, uma vez com a carteira assinada, julga-se com direito a abusar, não trabalhar, prejudicar a colheita, etc. E quando procura o Sindicato Rural este o defende, porém prejudica-o pois ele não consegue mais trabalho em outras fazendas, ninguém o quer. E um problema insolúvel até agora e acreditamos ser muito difícil se encontrar um denominador comum, seria no caso, mudar uma mentalidade secular.
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